Acessar AVA Forums 1º Fórum da Disciplina Prática Ministerial. Definição e implicações da função pastoral Responder a: Definição e implicações da função pastoral

  • Daniel

    Member
    20/03/2024 a 23:50

    O ministro do Senhor, chamado para o que consideramos como “trabalho pastoral”, deve trazer todo o ardor e temor em seu coração no que tange o serviço para o reino de Deus, pois ele reconhece que esta obra é excelente, conforme nos afirma Paulo em I Timóteo 3.1 – Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.

    Sendo tal obra de tamanha excelência, o pastor deve encará-la de forma diferente como encararia qualquer outro trabalho terreno, pois esse, em especial, possui um cunho espiritual e sobrenatural. Assim, antes de qualquer coisa, ele deve reconhecer que só será capaz de dá início ao desenvolvimento desse trabalho se tiver a certeza de que foi escolhido por Deus e não por homens. Nesse interim, o chamado interior do Espírito se reveste de ações comprobatórias, diante da igreja, que acaba exercendo o papel de testemunha e endossa a vocação da pessoa para o ofício pastoral. Ainda sobre isso, Tripp (2014, pág. 54) nos alerta que quando uma igreja busca um pastor, ela não está contratando habilidades, conhecimento e experiência ministerial, mas convidando um servo para viver de coração e cujo ministério será sempre moldado e direcionado por algum tipo de adoração a Deus. Essa certeza precisa estar enraizada em seu coração.

    Outro fator que o pastor precisa considerar em seu ministério é que esse trabalho é árduo, possuindo uma pesada responsabilidade, por isso ela exige certeza no chamado e profunda disposição em servir a Deus. Por outro lado, Tripp (2014, pág. 189) nos traz alguns pontos interessantes sobre essa dificuldade no ministério:

    • O diabo quer que pensemos que o ministério pastoral é particularmente difícil, nos levando a um sofrimento singular, de forma que começamos a questionar a presença, bondade, fidelidade e graça de Deus.
    • Assim como todo soldado em toda guerra sofre de algum modo, assim também os pastores, na grande guerra espiritual, sofrerão de alguma maneira, se colocando na linha de frente e estando exposto aos perigos pessoais e corporativos da guerra. Há milhares de pastores que têm prejudicado ou destruído seu ministério porque perderam de vista o que, na verdade, envolve o ministério e se tornaram vítimas da guerra da qual Pedro diz que nunca devemos nos esquecer (I Pedro 5.6-11).
    • É impossível estar no ministério e não ser afetado. Devemos nos lembrar de que o nosso sofrimento não é um obstáculo ao plano de Deus, mas parte dele.
    • No nosso sofrimento, em especial ao ministério pastoral, Deus não apenas está conosco, mas também o está empregando para mudar a nós e àqueles aos quais são ministrados.

    O pastor precisa encarar toda responsabilidade do ministério pastoral tendo a Palavra de Deus como centro em sua vida e ministério, sendo um homem que agrada a Deus e que vive e prega a Palavra, para que então tenha condições plenas de cuidar do rebanho do Senhor, pois ele sabe que isso envolve vidas as quais necessitam de cura, transformação e cuidado. Sobre isso, Tripp (2014, pág. 43) apresenta que quando a Palavra de Deus, fielmente ensinada pelo povo de Deus e habilitada pelo Espírito de Deus, é lançada, as pessoas se tornam diferentes, pois o propósito último da Palavra de Deus não é informação teológica, mas transformação de coração e de vida. Na perícope de Colossenses 3.15-17 podemos perceber o quanto Paulo vislumbra uma igreja preparada com a Palavra de Deus habitando em seu coração, pronto para fazer o que Deus planejou.

    Referência

    TRIPP, PAUL. Vocação perigosa; traduzido por Meire Portes Santos. São Paulo: Cultura Cristã, 2014. 192 p.