Acessar AVA Forums 4º Fórum de Prática Ministerial Educação Cristã Responder a: Educação Cristã

  • Daniel

    Member
    05/06/2024 a 20:54

    Possível aplicar as estratégias de metodologias ativas de aprendizagem no contexto da educação cristã de sua igreja local? Se a resposta é positiva, quais seriam as melhores estratégias? Se negativa, porque tais modelos não são viáveis em sua igreja local?

    As metodologias ativas de ensino trazem consigo uma importância fundamental para a nova forma de entrega do “saber” aos aprendentes. Essa metodologias foram pensadas como forma de tornar o ensino mais horizontal e participativo para todos, buscando colocar o estudante no patamar ativo do saber, sem hierarquizar o professor como detentor exclusivo do conhecimento. Podemos perceber um incentivo a participação ativa dos estudantes na construção de seus conhecimentos.

    Quando pensamos no contexto da educação cristã, todas essas metodologias podem ser bastante úteis no processo ensino-aprendizagem que tange o amadurecimento cristão dos membros de uma comunidade de fé, dado que a educação é algo que norteará toda a vida dessa pessoa aprendente, até sua vida eterna nos céus. Entretanto, sabemos que é um processo dinâmico e muito complexo e que exige esforço de ambos os lados para direcionar as ações propostas pela aprendizagem ativa.

    Em minha igreja percebo que tenho aplicado algumas dessas metodologias ativas e fico muito atento a três lacunas que Odayr Olivetti aponta em seu livro “Aprimorando a escola dominical“: fixação, frutificação e crescimento. Por fixação define a retenção do conteúdo básico das lições ou cursos ministrados. Frutificação refere-se aos resultados práticos dos ensinamentos ministrados, resultados que deveriam aparecer, concretamente, no comportamento dos alunos, em serviços prestados e no desenvolvimento e aplicação de seus dons e habilidades. Crescimento refere-se ao constante progresso dos alunos; progresso no conhecimento que influi no aperfeiçoamento do caráter e dos serviços prestados ou por prestar.

    Pessoalmente, acredito que as metodologias são possíveis de serem aplicadas em minha igreja local, com ressalvas ou adaptações em determinados tipos propostos pelo artigo. Vejamos cada um para entender como elas se adequariam a realidade atual da minha igreja local:

    – Aula expositiva dialogada

    Esse tipo considera a participação ativa dos estudantes, cujo conhecimento prévio deve ser considerado e pode ser tomado como ponto de partida. Essa metodologia é possível de ser aplicada e até é realizada em alguns momentos nas salas de educação da igreja local. Na medida do possível, são apresentadas situações hipotéticas dentro da lição para estimular o debate e o dialogo a fim de fomentar o compartilhamento de ideias e nortear possíveis caminhos de solução. Realmente percebo protagonismo dos alunos, a construção em grupo e a capacidade de mediação do docente. Mas, vejo que o desafio nesse ponto é o estímulo dos alunos de já irem a aula com o prévio conhecimento do assunto que será estudado, a prática da leitura e da preparação é um desafio em vários sentidos e em todas as idades. Não existe uma cultura estabelecida pela maioria da leitura da lição em casa para somar com os demais alunos no momento da aula, pois ainda que lhes deem a oportunidade de participarem não possuem bagagem para discutir os assuntos.

    – Estudo de textos

    Consiste na exploração de ideias do autor a partir do estudo crítico de um texto e/ou na busca de informações e exploração de ideias dos autores estudados. Esse método também é possível de ser realizado na igreja, não vejo problema, até porque já realizei estudos indutivos com os adultos e também trouxe textos de alguns autores para analisarmos. Entretanto, percebi uma dificuldade grande das pessoas organizarem as ideias e extrair o que de fato precisava do texto, tendo que auxiliar bastante em alguns casos.

    – Tempestade cerebral

    Estimula a produção de novas ideias de forma espontânea e natural, deixando funcionar a imaginação. Esse método parece interessante, mas pessoalmente não aplicaria na minha igreja local, pois exige um cuidado muito grande dos professores ficarem atentos para que as ideias não saiam do controle ou que ultrapassem os limites possíveis da doutrina bíblica. Dado um contexto de pessoas em que a maioria possui alto grau de instrução esse tipo de método pode fomentar desejos que vão além do que se pretende explorar no estudo realizado naquele dia. Acredito que exige muito mais dos docentes do que dos próprios alunos.

    – Estudo dirigido

    Ato de estudar sob a orientação e direta da pessoa docente, visando sanar dificuldades específicas. Acho esse método bem interessante e agrega bastante na aprendizagem da igreja, pois pode fechar lacunas que algumas pessoas possuem em determinados assuntos. Tenho tentado resolver essas questões com aulas de revisão e avaliações em grupo para ajudar inclusive na fixação do conteúdo.

    – Seminário e Simpósio

    Consiste na reunião de palestras e preleções breves apresentadas por várias pessoas sobre um assunto ou sobre diversos aspectos de um assunto. É um espaço onde um grupo discute ou debate temas ou problemas que são colocados em discussão. Acredito que mediante a dinâmica da escola bíblica de minha igreja se torna complicado aplicar essa metodologia dentro do período curto de aula, talvez teríamos que envolver isso em outro dia, o que levaria a outra dificuldade, a participação dos membros. Entretanto, esse ano conseguimos organizar um workshop sobre escatologia envolvendo 4 dias seguidos de aula, o que considero um grande avanço em participações fora do horário convencional de cultos da igreja.

    – Painel

    Consiste na discussão informal de um grupo de pessoas aprendentes indicadas pela pessoa docente para apresentarem pontos de vista diversos na presença de outras pessoas. Tenho aplicado em alguns momentos esse método com todas as faixas etárias, ainda que com os mais novos esse procedimento se torna mais factível, porque está dentro da vivência deles de escola, o que os deixa mais confortáveis. Porém, os adultos tem desenvolvido bem essa atividade, indo à frente, em grupo, e debatendo sobre temas, com o intuito de desenvolver a capacidade de falar em público e defender um assunto que lhe foi dado. É aqui que percebo também nos alunos a dificuldade de colocar em palavras as argumentações teológicas para as lições estudadas.

    – Oficina

    Caracterizada pela reunião de um pequeno número de pessoas com interesses comuns, a fim de estudar e trabalhar para o conhecimento ou aprofundamento de um tema. Nesse tipo de metodologia tenho alcançado mais os alunos adolescentes, pois eles tem se organizado para estudar temas específico, sob minha orientação fora do horário convencional de cultos. Mas, vejo uma grande dificuldade de aplicar isso em sala como a de adultos.