Responder a: Definição e implicações da função pastoral

  • Filipe

    Member
    24/03/2024 a 12:31

    O texto ora objeto da presente discursão no fórum é pedagogicamente didático e pontua de forma clara e objetiva sobre o ministério pastoral.

    Na obra em destaque, o autor é unânime em ratificar que o ministério pastoral carece de um chamamento, uma convocação, entretanto, esse chamado precisa preencher alguns critérios objetivos e subjetivos. O critério objetivo é ser chamado por Deus, ou seja, um convite divino. Nas palavras do autor “pastorado não é vocação que vise à satisfação individual, mas um chamado divino, isto é, não depende do indivíduo, mas de quem o chama e daqueles para os quais o indivíduo é enviado.” Calvino acrescenta ao comentar Gálatas 1:1, que (…) ninguém pode exercer licitamente esse ministério a não ser que seja chamado por Deus”.

    O critério subjetivo está ligado à sua própria personalidade do candidato que aspira o ministério, ou seja, nas palavras de MacArthur, aquele que almeja o ministério deve ser “um homem íntegro, piedoso, dotado de muitas habilidades. Ainda assim, ele deve manter a atitude e a postura humilde de um menino pastor”. Está explícito que, “os que forem liderar o povo de Deus devem, acima de tudo, ser exemplo de sacrifício, devoção, submissão e humildade.”

    Os autor advoga no sentido de que o pastor, para exercer o sacerdócio real, além dos critérios subjetivos alinhados acima, deve antes de tudo ter as qualificações apresentadas por Paulo em 1 Timóteo 3.1-7, ou seja, o candidato precisa ser “irrepreensível, marido de uma mulher”, “vigilante”, “sóbrio”, “honesto”, “hospitaleiro”, “apto para ensinar;” “Não dado ao vinho”, “não espancador”, “não cobiçoso de torpe ganância”, “não contencioso”, “não avarento;”, “Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia.”, “Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo”; “Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo”.

    Desta forma, podemos concluir que, aquele que é chamado por Deus para o ministério pastoral, deve ter a responsabilidade de encarar o ministério pastoral fundamentado nestes vetores apresentados por Paulo em sua carta a Timóteo.

    Outro ponto muito importante sobre o ministério pastoral observado pelo autor em sua obra é o “preço” que o pastor paga pelo ministério. Para o autor, o verdadeiro ministério pastoral exige sacrifício, labuta, serviço e superação de dificuldades. Nenhuma igreja deve menosprezar ou julgar desnecessário o pastor, pois ele cumpre a árdua tarefa de “apascentar” o rebanho de Deus, provendo alimento para as ovelhas e cuidando delas. Para corroborar com a presente afirmação, transcrevo um pequeno trecho sobre os fatores ocupacionais do ministério pastoral relacionado ao trabalho desenvolvido por este no seio da igreja, gerando consequentemente o esgotamento físico, emocional e espiritual, tema que foi objeto do meu Trabalho de Conclusão de Curso na Faculdade Teológica Batista de Brasília – FTBB, senão vejamos:

    (…) Os fatores ocupacionais estão diretamente ligados ao ambiente da igreja e as atividades ministeriais desenvolvidas nela (SOUTO; FLUCK, 2018). A ocupação através do trabalho pastoral potencializa o esgotamento dos pastores quando estes são vistos como meros empregados da igreja. Infelizmente, muitos são vistos como peças descartáveis e substituíveis quando não enquadrados na dinâmica local, o que maximiza esse esgotamento. Os pastores que se esgotam por causa de fatores ocupacionais, não veem fim no seu trabalho, ou seja, precisam estar em prontidão 24 horas por dia, e ainda assim, são alvos de críticas por parte de membros da sua comunidade local.

    Em muitas profissões, o dia de trabalho tem hora certa para começar e terminar. Já outras profissões, entre elas a do líder cristão, não tem fim, o que pode dar a sensação de estar constantemente de prontidão. Isso pode levar ao extremo, tanto pela igreja como para o líder. Um dia interminável é uma fonte de estresse, pois o líder começará a ter dificuldade de separar trabalho do lazer. ( BUCKLAND, 2003, p. 189)

    O sentimento que fica evidente para o pastor é que o trabalho não tem começo, não tem fim e que produz uma sensação de que nada foi concluído (SOUTO; FLUCK, 2018).

    Os pastores, como um dos poucos generalistas que ainda permanecem, aconselham o aflito, casam o romântico, sepultam os mortos, organizam os desorganizados, advertem o errante e consolam os tristes. Os pastores atendem tantas pessoas quanto o vendedor de uma loja; assistem tantas reuniões de comissão como os legisladores e mantêm uma exaustiva agenda social como a de uma celebridade. O pastor também se empenha em suficientes estudos, oração e meditação para fazer o trabalho e unir de forma agradável o acadêmico e o monástico. (SILVA, 2006, p. 60)

    Silva (2006) apresenta um leque de atividades inerentes a atividade pastoral, que muitas das vezes passa por despercebido pela igreja. Desta forma, a atividade ministerial ocupacional repetitiva e enfadonha também contribui para o esgotamento do pastor. Se analisado, chega-se à conclusão de que a maior parte do trabalho pastoral é considerada repetitivo.

    Um exemplo claro se perfaz com a preparação das mensagens, ou seja, com a missão cumprida no domingo à noite, o pastor já está pensando na mensagem que vai ter que preparar para ministrar no próximo domingo. Não só de mensagens vive um pastor, mas de uma grande quantidade de agendas a serem realizadas dentro de um ano.

    (Francioni , F. Z. M. de O. . (2023). CUIDADO PASTORAL: A SAÚDE FÍSICA, EMOCIONAL E ESPIRITUAL DO PASTOR. Epitaya E-Books, 1(55), 427-446. https://doi.org/10.47879/ed.ep.2023946p427)

    Desta forma, concluímos que o ministério pastoral é margeado por diversas características, que precisam ser levadas a sério. Do chamado, a qualificação e dos efeitos que será gerado com o desenvolver das atividades ministeriais.