Responder a: Governo Eclesiásticos e Ordenação ao Ministério Pastoral

  • Daniel

    Member
    17/04/2024 a 23:57

    1 – Trabalhando os Modelos de Governos Eclesiásticos

    O modelo de governo das Igrejas batistas é reconhecido, de forma unanime, como seguindo o modelo congregacional, ou seja, a Igreja se reúne em Assembleias, para tratar de questões surgidas no seu dia a dia e tomar decisões relacionadas ao desenvolvimento de seus trabalhos. Cada membro tem o direito e o dever de frequentar as assembleias ordinárias e extraordinárias da Igreja e decidir mediante regime democrático de votação sobre o futuro da instituição.

    Entretanto, a história mostra que os batistas, na época dos missionários pioneiros que chegam ao Brasil, regiam seu governo eclesiástico de forma diferente. De acordo com o texto lido de Gamaliel Carreiro, vemos que os primeiros anos da denominação batista no Brasil foi marcado por um governo episcopal, isto é, um missionário que ditava as normas para um grande número de Igrejas em um ou mais estados. Obviamente que esta forma de governo não conseguiu se consolidar entre os batistas brasileiros. O episcopado entre os batistas foi circunstancial, em momento histórico de nascimento e consolidação da instituição. Tão logo a convenção batista se consolidou o espírito individualista e democrático se alastrou como prática cultural, levando a autonomia que encontramos atualmente nas Igrejas.

    Assim, os batistas possuem em sua concepção o modelo congregacional, seguindo o espírito que rege o congregacionalismo americano que fora implantado nas Igrejas protestantes brasileiras, os quais foram escritos na legislação das instituições nacionais como as convenções e também no pacto entre os fiéis das Igrejas locais, sendo praticados a mais de 100 anos. Essa característica é tão forte que qualquer tentativa de eliminar a democracia por meio de governos autoritários, no meio batista, é fortemente rebatida. Agindo assim, mantém o que a própria convenção batista brasileira estabelece, que é o fato da Igreja refletir a igualdade e responsabilidade de todos os crentes, sob a autoridade de Cristo.

    Nesse tipo de modelo, a presença de Deus é validada quando a comunidade, reunida em assembleia, decide sobre questões da Igreja. Deve-se entender que Cristo é a cabeça e estar sempre presente, assim a autoridade final da Igreja não são as pessoas, mas é Jesus Cristo, retirando qualquer ideia de democracia no meio do modelo de governo batista, pois a decisão não pode ficar nas mãos de homens. Outra característica percebida é que reger a Igreja nesse modelo segue aquilo que é esperado biblicamente, pois os textos do Novo Testamento apresentam que nenhuma pessoa ou grupo tomava decisões importantes, mas sempre em grupo.

    2 – Trabalhando os aspectos da Ordenação ao Ministério Pastoral

    O texto “Repensando o Processo de Encaminhamento do Vocacionado à Ordenação Pastoral” de Fernando Oliveira trouxe de forma muito simples e direta a reflexão a ser feita sobre as práticas de ordenação pastoral. Podemos perceber cada denominação estabelecendo seu processo, suas burocracias, estabelecendo suas documentações obrigatórias, porém o elemento o qual denomino de “individuo candidato ao pastorado” é o de mais suma importância. Não adiantará todos esses processos estabelecidos se o candidato não cristalizar a verdade do ministério pastoral em sua vida, é como o próprio Fernando Oliveira vai trazer, que futuramente iremos perceber a diferença entre o chamado e o assobiado ao ministério da Palavra. O candidato deve entender que o pastor deve ser um homem que agrade a Deus e que viva e pregue a Palavra, a fim de alimentar o rebanho de Deus. Concordo com o autor, quando coloca que aquele que deseja o ministério pastoral deve se firmar no chamado interior do Espírito Santo e na confirmação de sua igreja, essas duas características fazem toda a diferença na confirmação do seu ofício. A partir daí está pronto para o processo de preparação teológica, pois está seguro quanto a sua vocação e cabe a instituição teológica acompanhar e monitorar esse candidato. Quanto ao concílio, de acordo com o texto, me parece uma peça frágil na decisão da vocação de um indivíduo que aspira pelo ministério pastoral, precisando de muitos ajustes em seu processo decisório de avaliação.

    O texto “Os Efeitos da Secularização e do Neopentecostalismo Sobre O Clero Protestante” de José Roberto tem uma correlação com o texto analisado no parágrafo anterior, uma vez que, agora, esse candidato ordenado ao pastorado passará por crises causados pela secularização que podem ter influenciando sua formação pastoral. Algo que não ensinam a esse jovem pastor é que as dificuldades são várias, desde natureza financeira, emocionais, físicas e espirituais, reduzindo até aquilo que ele lutou tanto para conquistar, o ministério pastoral. O autor deixa bem claro que a secularização é real e já permeia todo contexto eclesiástico, disturbando o ministério pastoral em definições como “quebrado”, “não profissional”, “profissão desorientada”, dentre outros. É sobre essa verdade, implantada pela secularização ao ministério pastoral, que os recém ordenados vão ser confrontados a lidar em sua nova profissão, e caso não estejam bem alicerçados, entrarão na onda e destruirão seu próprio ofício. Acredito que para vencer a secularização é absolutamente vital lembrar que o ministério do pastor não é estruturado apenas por seu conhecimento, experiência e habilidade, ele sempre é estruturado também pela verdadeira condição do seu coração. De fato, é somente o amor a Cristo que pode defender o coração do pastor contra todos os outros amores que têm o potencial de sequestrar seu ministério, a adoração a Cristo que tem o poder de protegê-lo contra todos os sedutores ídolos do ministério e é a glória do Cristo ressurreto que vai guardá-lo contra a glória própria, que é uma tentação para todos que estão no ministério, a qual destrói o ministério de tantos.